12 de março de 2008

E acordo...

Quando chegas de leve
e me invades...
Quando me encontras
e se inunda de ti a minha imagem...
Quando me abraças
e me habitas como se este fosse o teu lugar...
Quando me envolves
e me contagias com as tuas cores...
Quando me embalas
e o meu mundo levita...
Quando me enches
como se tudo me faltasse...
Quando me vês
como se nada mais existisse...
Quando me dás
como se dona de tudo eu fosse...
Quando me levas
como se outro lugar fosse o meu...
Quando me cantas
como se a história fosse só minha...
Quando me contemplas
como se a deusa dessa lenda fosse eu...
Quando me acordas
como se o valor do tempo dependesse de olhar para ti...
Quando a suavidade da tua doce chegada me alerta
seguro-te com cuidado para que não me faltes.
E acordo...
Lembrança...

9 de março de 2008

1oo mil!

5 de março de 2008

12 Palavras

"Art fo Love", no seguimento de mais uma corrente nos blogs, leva-me a reflectir. Desta vez, a tarefa é árdua, pois pedem-me para apresentar 12 palavras das quais eu goste. Eu sou uma apaixonada pelas palavras... Mas também adoro os desafios e portanto apresento-vos 12 das minhas palavras preferidas.

Amor... imprescindível em todas as suas manifestações.

Maresia... o aroma e a tranquilidade que me invadem quando a sinto.

Silêncio.... o absoluto de certos momentos.

Caos... que descreve um quadro que se pinta, uma gaveta de papéis, uma mala de senhora, um estado de espírito.

Plenitude... a meta, o objectivo que eu busco.

Partilha... que no seu verdadeiro significado comporta palavras extraordinárias.

Desvendar... o fim de um livro, o pensamento de um amigo, os segredos do universo.

Deslumbramento... o sentido da descoberta.

Caminho... por onde busco o sentido das coisas.

Paz... tão difícil...

Destino... ????

Mãe... tudo o que me preenche a alma começa assim.


Passo o desafio ao Jorge Silva (http://www.riologoexisto.blogspot.com/), à Lela (http://www.gracielasilva.blogspot.com/), à Marlene Maravilha (http://www.marlenemaravilha.blogspot.com/) e ao Profeta (www.profeciaeterna.blogspot.com)

29 de janeiro de 2008

Um olhar


Um olhar sobre mim...

Sem a mácula da subjectividade

que me faz ver o que não sou

saio de mim para me olhar

e, inversamente ao que havia pensado,

deparo-me com a complexidade

que, ao aproximar-me, se adensa.

Um olhar sobre mim?

Um livro que, página a página, terei que ler até ao fim...

Uma história feita de histórias que me povoam...

Caminhos feitos de rectas,encruzilhadas, muitas subidas íngremes...

... e calçadas... declives... sempre com um vislumbre de grandes alamedas.

Uns passos eu escolhi, outros... foram, inadvertidamente, impostos

por mim a mim mesma.

Um olhar sobre mim!

Decifrar o enigma do que dizem que sou

como um segredo que o universo me incumbiu de descobrir.

O livro que estou a ler é feito de páginas que já lá não estão

e a minha história revela muito pouco do que sou.

Mas o olhar sobre mim, esse, dita-me,

em voz silenciosa que me chega a ensurdecer,

que a minha busca está longe do fim,

que o meu enigma sou eu

e os meus obstáculos sou eu

e os meus anseios sou eu

e a minha plenitude... serei eu -

- quando o meu olhar me alcançar.






28 de dezembro de 2007

2008

Mais um ano que passou por nós.
A angústia deixou marcados os seus passos;
O desafio pintou de cores novas os obstáculos;
A esperança tomou o poder e fez levitar certas dores.

Hoje, revejo as pontes que atravessei,
os rios que vi fluir,
as mãos que segurei,
as mãos que me seguraram,
os sorrisos que partilhei,
os orvalhos que vi nas manhãs que acordei,
as graças que dei por cada dia.

Os anos passam,
o tempo voa,
para que tenhamos a consciência da sua brevidade e aproveitemos.

Em cada segundo que passa,
agradeço pelas pessoas que povoam o meu mundo,
que partilham comigo os seus sonhos, os desencantos, a vida...
Por cada estrela,
por cada dia de sol,
por cada noite em que a chuva me embala,
por cada amigo que sempre está ao meu lado...
Vale a pena ver este tempo a passar!!!

E vale por cada pedacinho de partilha na blogosfera.
A todos os amigos que eu não conheço pessoalmente mas que comigo têm partilhado palavras, versos, expressões de sentimento, loucuras, parvoíces, e assuntos sérios que merecem a atenção de todos, um abraço e um obrigada por estarem aí.

O milagre que eu queria para 2008 era o milagre da paz, mas para isso, o mundo inteirinho teria de o querer também, e, infelizmente, há muito quem não o deseje.

Mas que cada dia de 2008 possa ser um milagre nas nossas vidas, um milagre de paz interior, de encanto, de sorrisos, de Amor.

Feliz 2008 para todos!!!!!

18 de dezembro de 2007

Joaquin Cortés

Quem não conhece já o bailarino espanhol que encanta quem o vê dançar???

Espectáculo de luzes, som, representação e dança.
Em Guimarães, Cortés Dançou e encantou! Como alías acontece por todos os sítios onde dá espectáculos.
Dentro do espectáculo, há sempre pequenos espectáculos, dos quais registo o beijo desenfreado que a minha amiga Cristina conseguiu dar na mão do Cortés (Cris, era suposto teres ido tirar uma foto, não beijá-lo!!) e o sacrifício que foi tirar de lá a minha amiga Lili, que queria a qualquer custo vê-lo sair e tirar uma foto com ele. Bem, com a polícia já dentro do pavilhão não houve outro remédio senão sair sem o ver. Pelas ruas geladas de Guimarães, a noite foi divertidíssima, continuamos umas doidas e adoro as nossas gargalhadas genuínas. É por isto, e muito mais, que estas nossas noites nunca podem deixar de existir. Obrigada às minhas amigas por mais um momento destes. Adoro-vos!!!!!!!!!!!!!!
Para ti, minha doce Anabela, um beijo muito especial. Não tivemos a sorte da tua presença, mas estiveste no nosso coração, e muitas oportunidades virão para repetirmos.

11 de dezembro de 2007

Tretas e Laretas

Vem o convite do Atordoadas para que crie 5 máximas de treta. Vou tentar. Declaro, no entanto, não me responsabilizar pelos danos que possa vir a causar (tipo "cara feia", "mão a tapar a boca" ou "bocejo").

1 - O Pai Natal este ano não passa por Portugal - foi informado de que teria de pagar imposto de circulação, além de legalizar a matrícula do trenó.
2- O Governo deve ser submetido às novas regras de avaliação - assim como os pais avaliam os professores, deverão os professores avaliar o (des)Governo.
3- Viver em Portugal é como andar numa roda gigante - tem de querer-se muito para que se consiga suportar.
4- O jornalismo é uma forma de arte - ultimamente tem-se assistido a um colorido muito interessante - prova de que as tendências estão a mudar.
5- Às vezes pecamos por falar demais. Vou calar-me agora.

14 de novembro de 2007

Estou aí!

Estou aí! Com a gratidão por todas as palavras de todos os que por cá passam e deixam em sílabas a sua amizade, pelos que poupam as sílabas mas estão aí na vida comigo. Estou aí! E quero sossegar-vos com um "está tudo bem". Tudo o que está menos bem agora, vai ficar bem de certeza. Mas sabe tão bem ter-vos por cá (no blogue e na vida). Estou aí! Optimista, como nunca deixei de ser! Menos louca - mas a idade também me vai convencendo da sua existência (eu é tenho sido teimosa e venço-a sempre). É certo que, às vezes, nos sentimos impotentes, quando queremos ajudar e não podemos. Mas a esperança também tem essa função. E vai correr tudo bem.

Cada passo... uma meta.
Cada olhar... uma esperança.
Cada voz... um auxílio.
Cada abraço... uma força.
Cada mão... uma ponte.
Cada sorriso... uma luz.
Cada amigo... uma meta, uma esperança, um auxílio, uma força, uma ponte, uma luz!

Tenham um bom dia!!!

8 de novembro de 2007



Acordo em cada manhã, muitas vezes irmã de uma noite menos bem dormida, e tento, sempre, olhar a vida como ela é: um bem precioso. Tenho sentido falta da minha "louca" alegria de viver, que esmoreceu, por força de algumas circunstâncias. Mas, penso, que se, por um lado, a vida é cheia de imperfeições e coisas menos boas, por outro, vou me dando conta também de que ela nos propicia a adaptação a novas situações - dia-a-dia aprendemos a (re)viver.

3 de outubro de 2007

Sem título

Mesmo quando sabemos que o sol continua grandioso e os seus raios aquecem e iluminam, deixamos, por momentos, de o conseguir ver. É como se na verdade a luz desse lugar às trevas. A procura do nosso lugar ao sol passa a ser uma tarefa para a qual nos sentimos impotentes, porque é demasiado repentina a tempestade que surge, destrutiva a sua passagem e bastante difícil a restituição das coisas ao seu devido lugar. Mas estou certa de que a determinação, a esperança e o positivismo conduzirão o sol até à posição em que o seu brilho se possa, de novo, avistar.
A vida põe-nos, diariamente, à prova.

12 de setembro de 2007

António Branco

Há pessoas que marcam a nossa passagem de uma forma extraordinariamente poderosa - que fica para sempre na memória. Quem não teve um professor ou uma professora que tenha sido uma influência (boa - hoje só vou falar de boas influências)?
Hoje relembro alguns com carinho e saudade, recordo inclusive frases ou hábitos que marcavam as suas personalidades. Confesso que a ideia de eu o poder ser também na vida de alguém, me dá uma satisfação inefável.
Poderia começar pela infância, passar pela fase da adolescência, e teria certamente muito a contar. Mas vou mais perto no tempo, aos anos de faculdade, só para relembrar com carinho um professor admirável, com a capacidade de tornar todas as aulas tremendamente curtas. Quero deixar toda a minha admiração e agradecimento ao Prof. Dr. António Branco da Universidade do Algarve, pela paixão que dedica ao conhecimento, ao estudo, ao ensino da literatura... é formidável quando um professor transmite tudo isto aos alunos.
Deixo-vos um soneto deste professor que ficará para sempre na minha memória e na memória de muitos alunos que tiveram o privilégio de assistir às suas aulas.
Ira
.
É ira estar aqui e nada ser,
Do mundo querer razão p'ra ser alguém,
Salvar identidades de ninguém,
Na esperança de ganhar um só segundo.
.
É ira estar aqui e ser além,
Entre a velha morte e o novo andar,
Calçar a alma de fundos de mar,
Sofrer a culpa imune desta Sorte.
.
Desmesurada de ostras por abrir,
A ira mais medonha, mais espiga,
Quanto mais o desejo enfurecer.
.
E a calma engana a ira, no dormir.
Mas fica sempre a raiva tão antiga
De nunca estar aqui - e nada ser.
.
António Branco in Fugidia Comunhão

28 de agosto de 2007

Momento


Na magia de um momento intenso,
Na penumbra de um olhar que me invade...
Que o teu barco me recolha quando estou à deriva num mar imenso.
E no desejo de vislumbrar a praia que me espera,
a areia macia,
o bulício das ondas que se espraiam,
a calma do som que o silêncio traz até mim,
Vou alimentando o sonho desse momento mágico...
E as estrelas ditam o encantamento da doçura do que possa ser dito num olhar,
que apenas o ocaso testemunhe.
Aspira a noite à avidez de loucura
na magia desse momento...
Pedindo ao mar a combinação de cores que formem o quadro perfeito.

23 de agosto de 2007

Evan todo-poderoso



"- E como se pode melhorar o mundo?

- Com um acto aleatório de bondade de cada vez."

E, mais uma vez, a Pixar Studios nos presenteia com um filme cheio de animação, imagens extraordinárias, e, como sempre com um ensinamento profundo dado em forma de brincadeira. Neste caso é o de que os nossos pequenos actos de boa vontade podem ajudar a mudar o mundo. É bem verdade, é preciso, no entanto, que cada um se disponha a fazer a sua pequena parte.

Já agora, Deus está mesmo muito bem representado. Optimista, paciente, dotado de um bom humor delicioso de se ver... Adorei o filme, mas sei que sou suspeita a falar, porque devoro tudo quanto é filme para M/6. Aproveitem que o tempo não está tão bom como deveria estar nesta altura do ano e passem uma tarde deliciosa a ver Evan todo-poderoso.

Fiquem bem. Divirtam-se!

26 de julho de 2007

Deslumbrante!!!!!

Há coisas que, de tão deslumbrantes que são, nos deixam sem palavras, perante a sua magnitude, beleza extrema, fascínio que cativa, prende, emociona, enfeitiça... para mim a aurora polar é assim. Que dádiva mais linda!!!!!!! A mãe-natureza no seu melhor!

6 de julho de 2007

Memórias da minha infância



Lembro-me de correr pelos caminhos, despreocupada. Não havia estradas, portanto, o trânsito não era preocupação. Todas as crianças da aldeia (que mesmo todas era um pequeno número, já que a aldeia tinha pouco mais de meia dúzia de casas) se juntavam para brincar. O pai de uma amiga, que era emigrante no Iraque na altura, trouxe uma boneca para ela e uma para mim - nem imaginam a alegria! Foi a minha primeira boneca, o que, suponho, que se deve comparar à emoção de viajar ao espaço, já que eram as primeiras bonecas a chegar à aldeia. A minha amiga, vá-se lá saber porquê, escolheu a boneca mais feia, com as perninhas tortas, e eu, com o olhar fascinado pela outra boneca, vibrei com a a escolha dela. A boneca que me fascinou era para mim!! O turbilhão de emoções que duas bonecas causaram em duas meninas... Um dia chorei por essa boneca, que por força da falta de dinheiro, acabou por ser oferecida a outra menina que fazia anos e também não tinha. A minha irmã pediu tanto... cedi entre lágrimas, mediante a promessa de uma nova. Mas nunca, nessa altura, me passou pela cabeça a alegria dessa outra menina. Só a falta que me fazia a minha boneca nova. Mas depois, o tempo, sempre aliado nestas questões de saudade, ajudou a sentir menos a falta dela, mas nunca a esqueci.
As latas de sardinhas e de atum davam uns carrinhos fantásticos, sabem? Puxados por cordas, com pequenas rodas fabricadas com laranjas ainda muito verdes e pequenas, presas na ponta de paus. Hoje não conseguiria fazer melhor, porque parecia perfeito.
Aos Domingos podíamos jogar à malha, o senhor da loja (que parecia ser dono de tudo, porque tinha a mercearia, onde vendia tanta coisa - aos olhos de uma criança eram mesmo muitas coisas - até tinha cigarros de chocolate!!!) emprestava tão gentilmente as malhas, em ferro pesado que parecia, no entanto, não constituir dificuldade nenhuma. Os Domingos eram fantásticos, também podíamos jogar ao "4 em linha" ou às cartas, no terraço da loja que dava para uma pequena eira onde sabia tão bem brincar.
Quando ainda faltava muito para o Domingo, jogávamos às escondidas, aos países, aos polícias e ladrões ou inventávamos brincadeiras. Mas as ruas da aldeia eram sempre o cenário, ou os campos, com o seu verde, as árvores e as flores na primavera. Ainda hoje recordo o cheiro da primavera, o aroma da terra molhada, os campos lavrados e cultivados, a colheita...
E o rio (pequeno fluxo que água) onde mergulhávamos no verão, na hora em que o calor apertava e os nossos pais recuperavam forças para continuar as duras tarefas do campo?! Aprendi a nadar, perdi o medo, conquistei a água, ali, naquele afluente do Rio Homem, com as águas mais límpidas e puras que se pode imaginar, e frias também, mas isso é o que eu penso hoje, porque na altura, se me perguntassem como estava a água, eu diria sempre "Está tão boa!" porque era isso que eu sentia.
E as recordações da minha infância, em que me sentia rica, porque nada essencial me faltou nunca, povoam-me a memória e fazem-me sorrir a cada pequena lembrança. Como precisei de tão pouco para ser feliz!! Pouco que na verdade foi muito - fui sempre rica na idealização de mundos, nos ensinamentos que recebi como herança de uma mãe que é o meu melhor exemplo de força e determinação, que sempre batalhou para nos dar o que necessitávamos. O meu pai ficava pelas canções, sempre pacífico e atribuindo as tarefas da educação à minha mãe, tocava violino, viola, cavaquinho... Era admirável!!! Todos cantávamos ou tocávamos um instrumento. A vida era uma festa.
Só piorava nos longos e frios invernos, onde era inevitável a falha da luz eléctrica, que me deixava aterrorizada nas horas em que a trovoada teimava em ficar. Aí, a minha mãe rezava e tentava que todos rezássemos, mas mesmo esse momento, para ela tão sagrado, acabava por ser quebrado pelas brincadeiras do meu irmão João, que não resistia a fazê-las e acabávamos por rezar a rir.
Tão doces as recordações. Ficava aqui a escrever as crónicas da minha infância sem me cansar, mas sei, no entanto, que poucos dos meus leitores (sim, são os meus leitores) estarão agora a ler esta última parte. Mas deu-me esta vontade enorme de deixar escrito um pedacinho da minha infância e talvez continue um dia.



12 de junho de 2007


Luar
Noite vã... que me enche o espírito
Acorda o silêncio que me embala
Traz o sonho que me acolhe...
E, no vazio, a melodia que me invade
me fascina.
A neblina misteriosa compõe o meu poema
E a maresia, suavemente, me leva de encontro a ti.
Luar
No meu deserto...
A areia quente emana a loucura.
Alucinação...
Refúgio onde me encontro e te revejo.
Luz
Na solidão de uma longa caminhada
Luar que me embeleza o momento
Me enfeitiça.
Deleito-me com o aroma
que me invade e me leva de encontro a ti.
Luar.

29 de maio de 2007

Rafting




26 de Maio de 2007 - Rafting - Uma experiência alucinante!!



Preparadinhos para as águas do Rio Minho. O grupo foi fantástico.



Momentos tranquilos para apreciar a paisagem e retomar energias para os próximos rápidos...

Aqui siiiiiiiiiiiiiiim!!!Foi demais!
Não deixem de experimentar!!!!!
Obgd ao grupo e aos monitores que foram fantásticos. Um obgd especial para o Mito que nos proporcionou uma descida fantástica, com muita segurança e, muito, mas mesmo muito, divertida!!! É demais!!

21 de maio de 2007

Cores


Quem por cá passa, de certeza que se apercebeu do meu esforço das últimas semanas na tentativa (frustrada) de encontrar a cor certa para este blog.

É bem verdade que as cores estão associadas a determinados estados de espírito. Um dia pensamos numa cor, no dia seguinte, o mais certo é precisarmos de outra. Mas, neste momento, a minha situação é preocupante, porque não encontro a minha cor. As tentativas foram inúmeras e conformei-me a uma escolha que não me satisfaz. Vou continuar a procurar até sentir que encontrei a cor certa, o tom próprio, o colorido que exprima o meu estado de alma.

Neste esforço de encontrar a minha cor percebi que a dificuldade se pode bem dever ao emaranhado de pensamentos, situações, sentimentos, que regem a minha vida. Assim, serão muitas as cores com que tenho de pintar a minha tela e talvez o problema consista em encontrar a sua combinação perfeita.

Boa semana!!! Já agora, cheia de cor!!!

11 de maio de 2007

Um Azul para a Terra

Eu, que pouco entendo de política e que, por isso, me sinto pouco capaz de avaliar justamente o estado da nossa Nação, parece-me apenas que nos falta o azul que os marcianos de José Saramago tanto desejavam. Talvez este país precise mesmo de cor, porque este cinzento que nos envolve está a tornar-se denso e bastante difícil de suportar. Haverá realmente alguém capaz de colorir a nossa Nação?? Recompensa-se com distinção e honra (porque dinheiro é coisa que não há por cá - pelo menos nos sítios onde faz mais falta) quem for capaz de o fazer. Haja um Azul para a Terra!!!!
E agora não resisto a re(publicar) o texto de Saramago.

Um Azul para Marte
"A noite passada fiz uma viagem a Marte. Passei lá dez anos (se a noite dura nos pólos seis meses, não sei por que não hão-de caber dez anos numa noite marciana) e tomei muitas notas a respeito da vida que por lá se faz. Comprometi-me a não divulgar os segredos dos marcianos, mas vou faltar à minha palavra. Sou homem e desejo contribuir, na medida das minhas pequenas forças, para o progresso da humanidade a que me orgulho de pertencer. É muito importante este ponto. E espero, se algum dia me vierem pedir contas dos meus actos, isto é, do perjúrio cometido, que os não sei quantos biliões de homens e mulheres que há na Terra tomem todos a minha defesa.
Em Marte, por exemplo, cada marciano é responsável por todos os marcianos. Não tenho a certeza de ter compreendido bem o que isto quer dizer, mas enquanto lá estive (e foram dez anos, repito), nunca vi um marciano encolher os ombros. (Devo esclarecer que os marcianos não têm ombros, mas o leitor está certamente a perceber a minha ideia). Outra coisa que me agradou em Marte, é que não há guerras. Nunca houve. Não sei como se arranjam nem eles souberam explicar-mo, talvez porque eu não tenha sido capaz de lhes dizer o que é uma guerra, segundo os padrões terrestres. Mesmo quando lhes mostrei dois animais selvagens que lutavam (também os há em Marte), com grandes rugidos e dentadas, continuaram a não perceber. A todas as minhas tentativas de explicação por analogia só respondiam que animais são animais e marcianos são marcianos. Desisti. Foi a única vez que tive dúvidas a respeito da inteligência deles.
Ainda assim, o que mais me desorientou em Marte foi o não saber onde eram os campos e onde eram as cidades. Para um terrestre, digo-vos eu que é uma experiência muito desagradável. Acaba a gente por se habituar, mas leva o seu tempo. Por fim, já não me causava estranheza ver um grande hospital ou um grande museu ou uma grande universidade (os maricanos têm tudo isto, como nós) em lugares para mim inesperados. Ao princípio, quando eu pedia razões, a resposta era para mim sempre a mesma: o hospital, a universidade, o museu estavam ali porque eram ali precisos. Tantas vezes me deram esta resposta, que achei melhor aceitar com naturalidade, por exemplo, a existência de uma escola, com dez professores marcianos, num sítio onde só havia uma criança, também marciana, está claro. Não pude calar, em todo o caso, que me parecia desperdício dez professores para um aluno. Mas nem mesmo então fiquei a ganhar; responderam-me que cada professor ensinava uma matéria diferente, e portanto.
Em Marte gostaram muito de saber que há na Terra sete cores fundamentais de que se podem tirar milhares de tonalidades. Lá só há duas, branco e preto (com todas as gradações intermédias), e eles sempre suspeitaram que haveria mais. Garantiram-me que era a única coisa que lhes faltava para serem completamente felizes. E embora me tivessem feito jurar que não falaria do que por lá vi, desconfio bem que estarão dispostos a trocar todos os segredos de Marte pelo processo de obter um azul.
Quando saí de Marte ninguém veio acompanhar-me à porta. Acho que no fundo não nos dão grande atenção. Vêem-nos de longe o planeta, mas estão muito ocupados com os seus próprios assuntos. Disseram-me que só começarão a pensar em viagens espaciais depois de conhcerem todas as cores. É estranho, não é? Por mim, nesta altura, estou hesitante. Posso levar-lhes um bocado de azul (nesga de céu ou toalha de mar), mas depois? Eles virão certamente por aí abaixo, e eu tenho a impressão de que não vão gostar."JOSÉ SARAMAGO, Deste Mundo e do Outro - Crónicas

5 de maio de 2007

O abismo...
Chego em passos apressados...
Perdi o azul celeste,
Deixei de ter o meu mar.
E, por momentos, o abismo...
Pintei o horizonte em tons de cinzento,
Deixei de ter janela...
A neblina, o silêncio que me enche,
A noite que não desperta para a madrugada,
A ausência de mim...
E, por momentos, o abismo...
A ideia vaga, a escuridão, a invasão
E é o abismo... imenso, imponente, persuasivo.
Um arrepio... sinto a urgência de cores e regresso à luz.
Revejo a minha estrela,
A noite que se apaixona pela aurora,
O éden, as suas telas pintadas de mil cores.
Sinto a fragrância, o cheiro, o doce aroma da tranquilidade
que, freneticamente, se apodera novamente de mim
Para me devolver ao meu mar
Onde me sinto, onde me acho, onde adormeço
desejando que em cada luar eu veja, ao longe, o abismo...