23 de Fevereiro de 2012

De regresso com Clarice Lispector

Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:- E daí? Eu adoro voar!Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.

Clarice Lispector

21 de Março de 2011

Portugal ontem e hoje

Gerês, 16 de Julho de 1977

Em vez de me perder, como outrora, pela serra, a encher os olhos da única realidade que hoje vale a pena em Portugal, a paisagem, passo as horas sentado em frente da rádio e da televisão, na ânsia de uma notícia de esperança. Tal é o meu desespero. Mas vêm palavras. As mais levianas, demagógicas e tolas que se podem ouvir. Os nossos políticos andam ao desafio. Cada qual quer ser mais irresponsável do que o parceiro. E consegue-o sempre.
(Miguel Torga em Diário XIII)
Parei ao ler esta página. Reli. 1977? Não poderia ser 2011? Sim. Descreve perfeitamente a situação actual. Só temos menos paisagens. No lugar de muitas delas - grandes alamedas de betão armado.

12 de Fevereiro de 2011

Em jeito de regresso

Olá, Amigos

Estou de volta. Achei que nunca faria uma pausa deste meu refúgio, mas o tempo torna-se nosso inimigo quando temos de correr contra ele - e nós dois travamos intensas batalhas no último ano. Não sei se algum de nós saiu vencedor... eu senti-me cansada, mas não lhe dei tréguas e não parei e, tendo em conta que continuo firme, não o vejo vencedor. Sei, no entanto, que ele continua determinado em derrubar-me...
Não vim escrever durante uns intensos e apressados meses mas vivi no meio das palavras: esmiucei-as, interpretei-as, usei-as e abusei delas, olhei-as profundamente, numa relação quase doentia e febril. Produzi um conto de ficção científica, uma peça de teatro, um guião cinematográfico e sinopses, escrevi ensaios e fiz muitos trabalhos de investigação que me deram muito prazer e preencheram até algumas lacunas científicas que eu começava a sentir. O "último" dos trabalhos terminou numa publicação (em co-autoria)na revista Diacrítica, dossier literatura comparada 2010.
Agora estou a desenvolver o meu projecto de mestrado, que consiste na recolha de lendas e contos tradicionais de um meio rural específico e o trabalho paralelo com alunos do 3.º ciclo, que farão recolha e trabalhos de (re)escrita partindo deles.
Sigo com muito trabalho e dificuldade em conciliar tudo com a minha rotina diária, já por si demasiado intensa, mas com determinação.
Vou tentar andar por cá: escrever e ler-vos a todos, pois senti falta do meu trajecto quase diário pelos vossos blogues.
Até sempre.

1 de Abril de 2010

Pudesse eu voar... Voar mesmo. Bater asas e sentir a brisa suave
Conquistar distâncias e vencer
Ver em baixo as fraquezas e rir-me delas
Voar... Em bando ou num voo solitário
Ter por horizonte o infinito e avançar
...Pela vida levemente
E decidir de acordo com o tempo... suavemente e sem agitações.

23 de Novembro de 2009

Vassalagem

Vassalagem...
Curvo-me perante ti quando me foges
Imploro que prolongues os momentos
Desatino numa angústia dolorosa
Quando me cais das mãos como areia fina.

Permanece e deixa-me acabar as frases...
Que cruel tens sido para mim, Tempo fugidio...
E eu - vassala das tuas horas apressadas.

3 de Outubro de 2009

Novidades apenas

Olá a todos os que têm passado por cá, apesar de eu ter andado ausente.

Arranco este mês com mais um projecto de vida - um Mestrado em Mediação Cultural e Literária na área de especialização de Cinema e Literatura. Como acontece com qualquer trabalhador-estudante, os meus dias irão ser uma luta contra o tempo, mas não deixarei de passar por cá, certamente com mais momentos da alma para pintar, mais motivos para colorir os meus textos, onde espero poder reflectir novas aprendizagens.
Bom fim de semana.

11 de Julho de 2009

Estado d'alma

No anseio da loucura de minh'alma
Na berma da estrada prometida
Rumando ao horizonte a incerta vida
A insensatez afugentou a calma.

Sem querer perder da vida o sorvedouro
Ou do poeta a musa que o inspira
Os passos desta alma que delira
vagaram noite adentro...luz de ouro.

E lá ao longe que nunca é aqui
Insatisfeita sempre e à procura
Porque esta alma feita de loucura
Entende que não tenho o que perdi.

E permanece a ânsia de viver
No porto onde o sonho é real
Nas asas de um poema imortal
A rima desta alma vou escrever.